sábado, 19 de fevereiro de 2011

Estado de Espírito - Sábado

Maldito seja o dia em que te vi,
Quando te desejei,
Quando te conheci,
Quando telefonei,
Quando saí e te encontrei,
Mesmo sabendo que era tudo um capricho da tua vaidade...

Me fiz prisioneiro de um desejo,
Escravo de uma beleza perigosa e contraditória
Que me faz gozar com um beijo,
Mas nunca traz a certeza no final da história...

Mais uma conquista barata,
Mais uma conversa de bar,
Mais uma conserva de geladeira,
Consumida toda, inteira,
Lentamente, bem devagar...

Não gosto de pensar como teria sido sem você...
Prefiro acreditar que foi coisa do destino,
Que não havia escolha possível...

Tenho saudades de você,
Mas prefiro me manter calado,
Para outra vez te conquistar,
Por não suportar ter sido rejeitado
Por não ter mais você ao meu lado
Para ter você nas minhas mãos e depois te abandonar...

Maurício de Lima

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Visões do passado

Tenho medo do passado. Especialmente de pensar no passado.
Não porque eu tenha cometido crimes ou realizado atos realmente recrimináveis.
Pelo contrário, sou até bem correta.
Meu medo vem de vislumbres de momentos que eu vivi com você ou outro alguém.
Parece que foi vidas atrás, de tão diferente que minha vida agora é.
E esses momentos doem loucamente.
E eu me sinto tão tão estúpida, tão tão ridícula, que decidi que eu simplemente não vou pensar mais no passado.
Continuo sabendo que é você, mas não sei mais o que você é pra mim.
Acabou, esqueci.
Ou como dizia uma velha amiga: "Morreu, enterrou, sambou."
E agora?
Podeira pensar no meu futuro.
Mais o futuro também me assusta.
E se eu não conseguir ser quem eu quero ser?
E se eu nunca mais for feliz como eu fui naqueles dias?
E se...
Então penso no meu presente.
Penso, como eu disse.
Não vivo.
Porque viver o presente significa estar em paz com o passado e o futuro.
E definitivamente, em paz é como eu não me sinto.
E como eu não sei como sair desse limbo, fico aqui, em casa, ouvindo a chuva e escrevendo em blogs...

Visão de futuro

Enquanto ouço rádio no celular fico atento ao presente, ao passado e ao futuro. Costumo pensar muito no passado – coisa inútil, eu sei – lembrando e reinventando o imutável. Lembro de uma situação em todos os seus detalhes –normalmente frustrantes – e imagino como eu deveria ter me portado naquele momento. Imagino quantas vezes forem necessárias até que esqueça para sempre. Com isso acredito que quando situações parecidas ocorrerem eu não demonstrarei covardia, inibição, arrogância, insegurança, enfim, falhas de caráter, atitudes impensadas ou escolhas erradas.
As músicas vão alternando de temas e estilos e meu humor altera-se com elas.




Caio Timbó

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Visão holística

Diz-se, dizem: Visão holística! Tenham visão holística! Repetem, enfáticos: Todo administrador que se preze deve ter uma visão holística! E ensinam isso nas faculdades? Ensinam como ver o mundo inteiro, quando na verdade ele não passa de várias partes perdidas ao léu? A compreensão holística aproxima o homem da realidade. Que realidade é essa, que depende de algo difícil de acreditar, inconexo? Para ter tais olhos, é necessário juntar peças de um quebra-cabeça quebrado, em que parte alguma se conecta, se junta, se completa. A priori, poderia parecer até diferente, poderia parecer que duas ou três peças aqui e acolá estão ligadas. Com o tempo, no entanto, fica claro que elas não fazem sentido uma ao lado da outra, que o quebra-cabeça veio com defeito. Dá para trocar? Ainda há nota fiscal? Não é possível trocar assim de mundo como um é possível trocar um brinquedo. Então, só restam esses milhões de pequenos pedaços cortantes que devem se conectar de alguma forma, mesmo sendo impossível, mesmo não fazendo sentido.
Visão holística, dizem, é importante tê-la. Assim, aconselham, só se quiser ser alguém na vida, ter boa vida. De joelhos, penso, observando tantas peças incompletas, quebradas e sem sentido, como é possível ter visão holística quando você mesmo não se lembra da última vez que esteve intacto, inteiro, holístico? Se é que alguma vez você esteve dessa forma...
Não, não tem isso nos livros nem ensinam isso nas faculdades.

Diego Xavier.